maio 18, 2008

Maktub

Às vezes na vida, temos de tomar algumas atitudes que não queremos, simplismente por elas serem super necessárias. E foi isso que eu fiz. Subi aquelas escadas, que me pareceram intermináveis, devagarinho e a cada degrau que eu deixava para trás, meu coração apertava um pouco mais. Cheguei até a voltar um ou dois degraus pensando em desistir daquela decisão, mas eu sabia que deveria seguir em frente. Eu o amava. Sim, de verdade. Sabe aquela coisa pré - adolescente ' Vou te amar pra todo sempre. ' ? Então. Eu me sentia assim. E eu realmente teria achado o amor da minha vida, SE ele não fosse casado, tivesse 3 filhos e fosse meu professor de Química Orgânica. E ele havia me feito tantas promessas. Tantas, mas tantas que eu havia me iludido o tempo todo. Se separaria da sua esposa, mudariamos de cidade, casariamos, ele veria os filhos é claro, uma vez por mês, lecionaria em outra faculdade, e nessa, eu terminaria meu curso. Pronto, perfeito. Perfeito seria se não fosse tudo mentira. Mas eu não tinha me tocado até aquela tarde chuvosa. Não mesmo. Deve ser porque eu não queria enxergar. Só depois que me pus a pensar que eram quase dois anos naquela conversinha que algo dentro de mim meio que limpou minha visão, tirando a venda que Felipe, e eu com meus sonhos, tinhamos colocado sobre meus olhos. Quando reparei já estava na porta de sua sala, a mesma sala, na qual, tinhamos passado nos beijando em segredo nos intervalos entre as aulas. A mesma que ele me abordara pela primeira vez:
- Licença.
- Diga.
- Professor, me chamo Aline, sou aluna do
- terceiro de Quimíca Orgânica.
Estranho.
- Isso.
- Diga.
- Professor, achei injusto o que o senhor fez comigo aula passada.
- Tirar sua prova pois tentou me fazer de idiota colocando um resumo embaixo do teste?
- Er, desculpe professor. Deveria ter pensado nisso. Não foi desse jeito que pensei, e bom, deixa pra lá.
Virei para sair da sala, mas ele me chamou.
- Aline.
- Professor?
- Sente - se.
E sem reclamar, eu o fiz. Ele permaneceu calado por alguns minutos, a contemplar meu rosto. No começo fiquei constrangida, logo após com medo, mas depois comecei também eu, a repará - lo. Seus olhos de traços fortes, azuis intensos. Sua boca bem desenhada, com dentes muito brancos. Como era bonito! E eu nunca havia reparado. E porque? Deve ser porque ele era muito, mas muito chato. Totalmente irritante, rude, e grosso.
- Aline. - Disse ele me despertando daquele estado de choque.
- Sim senhor?
- Se continuar a faltar nas minhas aulas, acho que ficará de recuperação na minha matéria.Você sempre passa raspando nas minhas provas, e a matéria está dificultando cada vez mais.
- Tenho dificuldades em Química Orgânica e...
- E comigo.
Calei me.
- Aline, sei que sou rude contigo. Mas sou com todos. O faço para manter a disciplina na classe.
- Não acho isso. - Respondi corajosamente.
- Não acha? - Respondeu ele assustado.
- Não. Não acho, acho que o senhor é rude porque é seu modo de ser.
Ele riu.
- Deixe - me provar ao contrário?
- E como o faria professor?
- Posso leva - la para jantar hoje?
E eu assustada, aceitei. E foi aí que começou. Sempre muito carinhoso comigo. Atencioso. Me enchia de presentes. Era perfeito. Mas existiam as mentiras, e os filhos e o resto. Continuei parada em frente daquela porta, indecisa, mas ao mesmo tempo decidida. Bati.
- Entre.
Ele estava lá. Atrás da sua mesa. Lindo como sempre. E com a camisa verde musgo, que EU havia lhe dado.
- Minha linda! - Sorriu ele.
- Felipe. Preciso falar contigo.
Ele levantou. Foi até mim, e arrancou um beijo quente e desejoso da minha boca.
- Querida, se for cobrar o término do meu relacionamento. Por favor, eu já expliquei...
- MENTIRAS! - Gritei dominada pela raiva.
- Não meu anjo. - Assustou - se ele.
- MENTIRAS. UMA ATRÁS DA OUTRA FELIPE!
- Line, por favor, fale baixo. - Pediu calmamente.
- Felipe, eu te amo, mas não dá mais. Eu, eu não aguento mais. - E lágrimas começaram a escorrer pelos meus olhos.
- Não aguenta o que Aline? Seja direta! - Pediu ele impaciente.
- Essas mentiras. Fale sério Felipe. Nunca planejou casar - se comigo!
- Não, não, eu quero, e, e, nós vamos nos casar e mudar de cidade e...
- Pra mim chega! Você me conta essa mesma ladainha há 2 anos Felipe!
- Por favor Aline, acalme - se. Eu amo você e vamos nos casar e seremos muito felizes. - Disse ele me abraçando e eu comecei a amolecer - me em seus braços. Eu não precisava fazer aquilo. Eu não precisava terminar. E porque terminar? Nos amavamos não? Pertenciamos um ao outro. Ou não. Minha consciência começou a martelar inúmeras coisas. Desvencilhei - me dele, e olhei profundamente em seus olhos.
- Felipe, pretende mesmo casar - se comigo?
Desviando o olhar do meu, ele disse que sim.
- Felipe. - Puxei o rosto dele de modo que seus olhos ficaram fixos no meu. - Pretende mesmo?Silêncio. Foi aí que chorei mais ainda. Estava tudo confirmado. Era realmente falsas promessas. Tudo mentira. Dei as costas a ele. Estava acabado.
- Aline! Entenda meu lado, por favor. Pediu ele. Mas eu nada fiz. - Aline! Tentou novamente.
Minha vida tinha acabado. Eu queria que ele pulasse em frente a porta, e me agarrasse. Começasse a me beijar loucamente, ligasse para sua esposa e terminasse com ela. Como não o fez, eu simplismente esperei que somente me agarrasse. Mas nada. Fechei a porta, e dirigi - me as escadas. A cada degrau deixado para trás era um pedaço de mim que morria. Porém nenhum 'Aline' foi ouvido, nenhum suspiro, nem lágrimas. Talves então ele preferisse a mulher a mim. Ou talvez ele nunca me tivesse amado de verdade ou talvez eu tivesse me iludido demais. Ou talvez. Ou talvez. Ou talvez.

5 opiniões:

Filipe Garcia disse...

Olá!

Eu já me encantei por uma professora. Ela dava aula de matemática. Linda, inteligente, tinha um senso de humor incrível... acho que muitos já tiveram desses amores platônicos por professor. Caso amoroso é meio complicado, né? Ainda mais nessa sua história que tinha família envolvida... chato mesmo!

Obrigado pela sua visita lá no meu mundo!

Beijo.

darsh. disse...

esses "talvez" é que matam..

Renato de Mattos Motta disse...

Amores secretos podem até encantar,mas têm uma tendência a virar nossa vida de ponta-cabeça e acabar com nossa auto-estima.

Obrigado pela visita ao ReMaMo!

Beijão!

Nanita disse...

É tão ruim quando somos a outra na vida de um homem. E mais ruim é quando vemos que as promessas nao passam de promessas. Doi, machuca, mas o melhor que se tem a fazer é isso.. virar as costas e ir embora! É estranho pois mesmo eu sabendo disso nao consigo o tal. Nao consigo deixar de pensar nele, de querer ele. No meu caso ele nao é casado, nao tem filhos.. mas tem uma namorada de cinco anos! Quem sabe um dia eu consiga fazer o que você fez, colocar um THE END na historia.

♥ Camila disse...

MEuuu Deuuus! Sendo caso verídico ou não, a mocinha não devia nem ter começado né! Nada pior do que se envolver com quem já tem uma pessoa, a pior coisa é ser a outra! Já fui muitas vezes mas fui por ser sem noção msmo, NUNCA CASADOS mas no maximo noivos.. saiamos e depois terminavamos.. era tudo muito simples NUNCA ME APAIXONEI por um desses...

esse talvez mata os pensamentos..
maaaaaaas pense positivo...
POSITIVIDADE PRA VOCE! =]

 

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